Como a Geração Z Está Mudando o Conceito de Beleza
Entenda como a geração Z está mudando o conceito de beleza — da pluralidade estética à beleza de gênero fluido, da pele real ao skincare em alta, das contradições das redes sociais à conexão entre beleza e saúde mental.
3/25/202618 min read


Índice do artigo
A geração que cresceu em frente ao espelho digital
O fim da beleza única — como a Gen Z fragmentou o padrão
Autenticidade como novo luxo — por que imperfeição virou tendência
Beleza de gênero fluido — quando o batom não tem sexo
Pele real, sardas e acne — a revolução da imperfeição visível
A relação da Gen Z com o corpo — entre liberdade e contradição
O papel do TikTok na destruição e reconstrução de padrões estéticos
Sustentabilidade e beleza consciente — valores que viram escolha de compra
Saúde mental e beleza — quando o espelho vira aliado ou inimigo
O que as marcas aprenderam — e o que ainda precisam aprender
FAQ — Perguntas frequentes
Conclusão
Introdução
Existe uma cena que resume bem a geração Z melhor do que qualquer relatório de tendências conseguiria.
Uma menina de dezoito anos abre o TikTok, posta um vídeo de quinze segundos sem filtro, com acne visível, olheiras reais e cabelo fora do lugar — e na legenda escreve algo como "acordei assim e estou ótima". O vídeo chega a dois milhões de visualizações em 48 horas. Nos comentários, milhares de pessoas respondendo "finalmente alguém real" e "você me fez me sentir menos sozinha".
Isso não aconteceria da mesma forma com nenhuma outra geração antes dela.
A geração Z — nascidos entre 1997 e 2012, hoje com idades entre 14 e 29 anos — está fazendo algo que nenhuma geração anterior conseguiu com a mesma velocidade e escala: reescrevendo o conceito de beleza em tempo real, de baixo para cima, sem pedir permissão para as indústrias que definiram esse conceito por décadas.
Mas a história não é simples. Porque ao mesmo tempo em que essa geração destrói padrões antigos, cria novos. Ao mesmo tempo em que celebra a imperfeição, consome filtros com uma frequência que nenhuma geração anterior teve acesso. Ao mesmo tempo em que defende autenticidade, vive em plataformas otimizadas por algoritmos que ainda premiam determinadas aparências em detrimento de outras.
Entender como a geração Z está mudando o conceito de beleza exige olhar para essa contradição de frente — sem romantizar o que está sendo construído nem ignorar o que ainda está sendo destruído.
1. A Geração que Cresceu em Frente ao Espelho Digital
Nenhuma geração antes da Z cresceu com câmera frontal. Parece um detalhe técnico — mas é uma transformação antropológica.
Crescer com a possibilidade de se ver em tempo real, de registrar qualquer momento, de publicar e receber feedback imediato sobre a própria aparência desde os doze ou treze anos é uma experiência sem precedente na história humana. E ela moldou a relação dessa geração com a própria imagem de formas que ainda estamos tentando compreender completamente.
A normalização da câmera como extensão do eu
Para a geração Z, ser fotografado não é um evento especial — é o estado padrão. Selfies não são vaidade — são comunicação. A câmera frontal funcionou, para essa geração, como um espelho que nunca desliga — e como qualquer espelho usado em excesso, ela tanto revelou quanto distorceu.
A familiaridade com a própria imagem tem dois lados. Por um lado, gerou uma geração mais acostumada a se ver — menos chocada com a própria aparência em fotos do que gerações anteriores, que raramente se viam de ângulos diferentes do espelho do banheiro. Por outro, criou uma consciência da própria aparência que é constante, monitorada e frequentemente comparada — não com as dez pessoas do círculo social imediato, mas com milhões de rostos no feed.
A diferença entre ver e ser visto
O que diferencia a experiência da geração Z de todas as anteriores não é apenas que eles se veem mais — é que eles são vistos mais. E por mais pessoas. E com feedback quantificável em curtidas, comentários e visualizações.
Isso cria uma pressão diferente da que existia antes das redes sociais — não a pressão de corresponder a um padrão distante como o de uma revista, mas a pressão de gerenciar ativamente a própria imagem pública em tempo real, todos os dias, para uma audiência que pode ser de dez pessoas ou de dez mil dependendo do dia.
2. O Fim da Beleza Única — Como a Gen Z Fragmentou o Padrão
Durante décadas, a indústria da beleza funcionou com base em uma premissa relativamente simples: existe um padrão de beleza predominante, e o negócio é vender produtos e serviços que ajudem as pessoas a se aproximar dele.
Esse modelo ainda existe. Mas a geração Z criou um problema sério para ele — porque ela fragmentou o padrão de beleza em tantas direções simultâneas que a ideia de um único padrão dominante ficou difícil de sustentar.
Da monocultura estética para a pluralidade
Nos anos 90 e 2000, era possível identificar com razoável clareza qual era o padrão de beleza dominante na cultura ocidental. Ele tinha características específicas — tipo de corpo, cor de cabelo, tom de pele — que apareciam de forma consistente nas capas de revistas, nas telas de cinema e nas campanhas publicitárias.
A geração Z cresceu no TikTok, onde o algoritmo não serve o mesmo conteúdo para todo mundo. Cada pessoa tem um feed radicalmente diferente — e, consequentemente, referências estéticas radicalmente diferentes. Beleza dark e gótica, beleza cottagecore, beleza Y2K, beleza minimalista coreana, beleza afro-centrada, beleza queer, beleza atlética — todas coexistem simultaneamente, com suas próprias comunidades, seus próprios criadores e seus próprios padrões internos.
Isso não significa que não existam padrões — significa que eles se multiplicaram. E que a pressão de corresponder a um único ideal cedeu, em parte, para a pressão de pertencer a algum dos muitos subgrupos estéticos disponíveis.
A microestética como identidade
O fenômeno das microestéticas — nichos visuais altamente específicos com nome próprio e características definidas — é um produto direto da forma como a geração Z consome e produz conteúdo. Termos como "clean girl aesthetic", "that girl", "dark academia", "coastal grandmother" e dezenas de outros representam não apenas preferências estéticas mas identidades que as pessoas constroem e comunicam através da própria aparência.
Para a indústria da beleza, isso criou ao mesmo tempo uma oportunidade e um desafio. A oportunidade é a multiplicação de nichos que podem ser servidos por produtos específicos. O desafio é que nenhuma marca consegue mais ser relevante para todos ao mesmo tempo — e tentar ser frequentemente resulta em perder credibilidade com todos.
3. Autenticidade Como Novo Luxo — Por Que Imperfeição Virou Tendência
Se você precisasse resumir em uma palavra o que a geração Z procura em beleza — tanto na própria aparência quanto nas marcas que consome — essa palavra seria autenticidade.
Mas autenticidade é uma das palavras mais usadas e menos compreendidas de toda a conversa sobre essa geração. Vale a pena decompô-la.
O que a Gen Z chama de autenticidade
Para a geração Z, autenticidade não significa necessariamente ausência de cuidado com a aparência. Significa ausência de performance de uma aparência que não corresponde à realidade. É a diferença entre uma pessoa que se maquia porque gosta e uma pessoa que se maquia para esconder que é humana.
Uma Gen Z com make elaborado e cabelo perfeitamente feito pode ser completamente autêntica — se aquela é genuinamente a expressão dela. Uma influenciadora que posta foto "sem filtro" com seis camadas de skincare e iluminação estratégica pode ser completamente inautêntica — se o "sem filtro" é performance de naturalidade para construir uma imagem de honestidade que atrai seguidores.
A geração Z é, em geral, razoavelmente boa em detectar a diferença. Não infalível — mas mais treinada nisso do que qualquer geração anterior, simplesmente porque cresceu em um ambiente onde esse tipo de performance é ubíquo e onde a desmistificação acontece rapidamente nos comentários.
Por que imperfeição gera conexão
Existe uma razão fisiológica e psicológica para o fenômeno de um vídeo com acne visível ter mais engajamento do que uma foto com pele perfeitamente editada. O cérebro humano é altamente treinado para detectar o que é real versus o que é fabricado — e quando detecta autenticidade, responde com uma conexão emocional que o conteúdo perfeitamente produzido não consegue replicar da mesma forma.
As imperfeições são marcadores de humanidade. Elas sinalizam ao observador que a pessoa é real, que existe fora da tela, que tem uma vida além da imagem cuidadosamente construída. E essa humanidade compartilhada é, no fundo, o que cria comunidade — que é o que as pessoas mais buscam nas redes sociais.
4. Beleza de Gênero Fluido — Quando o Batom Não Tem Sexo
Uma das mudanças mais significativas que a geração Z está promovendo no conceito de beleza é a dissolução das fronteiras de gênero na estética pessoal — e essa mudança está acontecendo em uma velocidade que as gerações anteriores não conseguiriam imaginar.
O que mudou na relação entre gênero e beleza
Durante décadas, a indústria da beleza operou com uma divisão binária clara: produtos femininos e produtos masculinos. Maquiagem, skincare elaborado, nail art e cabelos tingidos eram categorizados como pertencentes ao universo feminino. Homens que se desviavam dessa norma sofriam pressão social significativa.
A geração Z, em grande parte, simplesmente não reconhece essa divisão como natural ou necessária. Criadores de conteúdo masculinos que fazem tutoriais de maquiagem acumulam milhões de seguidores. Marcas de beleza que lançam produtos "sem gênero" encontram receptividade especialmente forte nessa faixa etária. A ideia de que batom, delineador ou sombra têm sexo parece, para muitos jovens dessa geração, tão arbitrária quanto a ideia de que determinadas cores de roupa têm sexo.
O impacto na indústria
A indústria da beleza levou tempo para reagir — mas reagiu. Marcas como Fenty Beauty, MAC e NYX foram pioneiras em incluir homens e pessoas não-binárias em campanhas de maquiagem. Linhas de skincare "genderless" multiplicaram-se. Marcas historicamente posicionadas como femininas começaram a comunicar para públicos mais amplos.
Não é altruísmo — é mercado. A geração Z representa uma fatia crescente do poder de compra global, e ignorar as preferências dela em nome de categorias de produto que ela não reconhece como relevantes seria um erro comercial óbvio.
5. Pele Real, Sardas e Acne — a Revolução da Imperfeição Visível
Existe algo que seria completamente impensável em qualquer campanha de beleza dos anos 2000 que hoje aparece com frequência crescente em publicidade, nas redes sociais e nas conversas sobre estética: pele com textura real.
Espinhas. Poros visíveis. Sardas. Manchas. Celulite. Estrias. Por décadas, esses elementos foram tratados como problemas a serem eliminados — seja pela câmera, pelo Photoshop ou pelo produto certo. Para a geração Z, parte expressiva deles é simplesmente... pele.
Como a conversa sobre pele mudou
O movimento "skin positivity" — que cresceu junto com o body positivity mas com foco específico na pele — ganhou força expressiva entre 2020 e 2024. Criadores de conteúdo que postam vídeos sem qualquer filtro de pele, que mostram acne ativa, cicatrizes e hiperpigmentação, acumularam audiências enormes — não apesar da imperfeição visível, mas por causa dela.
A lógica é simples e poderosa: quando você passa anos vendo apenas peles perfeitamente lisas e luminosas na tela, começar a ver pele com textura real produz um alívio imediato. Você percebe que o problema não era a sua pele — era o padrão ao qual ela estava sendo comparada.
O paradoxo do skincare em alta
Aqui o fenômeno da geração Z mostra uma das suas contradições mais interessantes. Ao mesmo tempo em que celebra pele real e imperfeição, essa é a geração que mais investe em skincare da história. O mercado de skincare cresceu de forma expressiva impulsionado pela geração Z — que gasta proporcionalmente mais em produtos para a pele do que qualquer geração anterior na mesma faixa etária.
A reconciliação dessa contradição aparente está na intenção: skincare como cuidado, não como correção. A geração Z usa produtos para cuidar da pele porque gosta de cuidar da pele — não necessariamente para atingir o ideal de pele perfeita que as campanhas tradicionais vendiam. É uma distinção sutil mas importante.
6. A Relação da Gen Z com o Corpo — Entre Liberdade e Contradição
A relação da geração Z com o próprio corpo é talvez onde as contradições dessa geração ficam mais visíveis — e mais humanas.
Por um lado, essa é a geração que mais abertamente discute body positivity, body neutrality, transtornos alimentares e pressão estética corporal. Conversas que eram tabu em gerações anteriores aparecem com frequência no TikTok, no Instagram e no YouTube — e encontram audiências que se identificam e se sentem menos solitárias por isso.
Por outro lado, é também a geração que cresceu com acesso sem precedente a imagens corporais editadas e filtradas — e que, paradoxalmente, enfrenta taxas crescentes de insatisfação corporal, transtornos alimentares e ansiedade relacionada à aparência em comparação com gerações anteriores na mesma faixa etária.
A pressão que mudou de forma mas não desapareceu
O padrão estético do corpo trincado e perfeitamente definido não domina o feed da geração Z da mesma forma que dominou o fitness dos anos 2010. Mas outros padrões surgiram para substituí-lo — alguns explícitos, como as estéticas corporais associadas a determinadas microestéticas do TikTok, e alguns mais sutis, como a pressão de ter o corpo "certo" para o nicho estético no qual você se identificou.
A pressão não desapareceu — ela se fragmentou e ficou mais difícil de identificar como pressão porque aparece embalada em linguagem de identidade e pertencimento.
O que essa geração está construindo que é genuinamente diferente
O que é genuinamente diferente na relação da geração Z com o corpo não é a ausência de pressão estética — é a consciência crescente de que essa pressão existe e pode ser questionada. A geração Z é a primeira a ter linguagem prontamente disponível para nomear fenômenos como "comparação social nas redes sociais", "filtros irrealistas" e "padrão estético fabricado" — e essa linguagem tem poder real para mediar a relação com as imagens que consomem.
7. O Papel do TikTok na Destruição e Reconstrução de Padrões Estéticos
Seria impossível falar sobre a relação da geração Z com beleza sem falar sobre o TikTok — a plataforma que mais moldou a estética dessa geração e que opera de formas que as plataformas anteriores não operavam.
Por que o TikTok é diferente
O Instagram foi construído em torno da imagem perfeita — filtros, curadoria, grid estético, a foto como objeto final. O TikTok foi construído em torno do vídeo espontâneo — tendências que surgem e morrem em dias, áudios virais, danças, formatos que privilegiam o timing e o carisma sobre a perfeição visual.
Essa diferença estrutural criou espaços para tipos de conteúdo — e tipos de criadores — que o Instagram não comportava da mesma forma. Pessoas que não teriam o tipo de imagem visual que o Instagram recompensava encontraram no TikTok audiências através de personalidade, humor, informação e autenticidade.
O ciclo de criação e destruição de tendências estéticas
O TikTok tem uma velocidade de ciclo de tendências que é sem precedente. Uma estética que domina o For You Page em janeiro pode estar sendo ironizada e desconstruída em março. Isso tem um efeito duplo sobre os padrões de beleza.
Por um lado, nenhum padrão estético tem tempo suficiente para se consolidar como o único padrão dominante — eles surgem, crescem, saturaram e são substituídos em meses. Por outro, a velocidade cria uma pressão de atualização constante que pode ser exaustiva — a sensação de que você precisa estar sempre acompanhando a próxima microestética para ser relevante esteticamente.
O TikTok como espaço de desmistificação
Um dos fenômenos mais interessantes do TikTok em relação à beleza é a velocidade com que a desmistificação acontece. Uma influenciadora posta uma foto editada hoje — amanhã há um vídeo de análise apontando exatamente o que foi alterado. Uma marca lança uma campanha com promessas exageradas — em dias há criadores de conteúdo testando e reportando os resultados reais.
Esse ecossistema de verificação em tempo real criou um público mais cético em relação a promessas de beleza — e mais receptivo a marcas e criadores que se comunicam com honestidade sobre o que entregam e o que não entregam.
8. Sustentabilidade e Beleza Consciente — Valores que Viram Escolha de Compra
Para entender como a geração Z está mudando o conceito de beleza, é preciso entender que beleza, para essa geração, não existe no vácuo. Ela está conectada a valores — e um dos mais relevantes é a sustentabilidade.
Beleza limpa e o ceticismo necessário
O movimento de "clean beauty" — produtos sem determinados ingredientes considerados prejudiciais — cresceu impulsionado pela geração Z. Mas essa mesma geração, com o acesso à informação que a caracteriza, rapidamente identificou que "clean beauty" é em grande parte um conceito de marketing sem regulação científica rigorosa — e que muitas marcas usam o termo sem respaldo suficiente.
O resultado foi um público que quer produtos mais conscientes mas que questiona ativamente as afirmações das marcas — e que recorre a criadores de conteúdo com credenciais científicas para navegar as afirmações do mercado.
Embalagens, ingredientes e cadeia de produção
A geração Z estende a preocupação com beleza para além do produto em si. Embalagens sustentáveis, ingredientes com origem rastreável, práticas trabalhistas na cadeia de produção — esses fatores influenciam a decisão de compra de uma proporção dessa geração que não tem precedente em faixas etárias anteriores.
Isso não significa que toda Gen Z faz escolhas perfeitamente consistentes com esses valores — a distância entre intenção declarada e comportamento de compra real é um fenômeno bem documentado em todas as gerações. Mas significa que esses valores têm peso real na percepção de marcas e na disposição de pagar mais por produtos que os comunicam de forma crível.
9. Saúde Mental e Beleza — Quando o Espelho Vira Aliado ou Inimigo
Talvez a contribuição mais significativa da geração Z para a conversa sobre beleza seja a recusa em separar estética de saúde mental — porque para essa geração, as duas estão profundamente conectadas.
A conversa que essa geração iniciou
A geração Z foi a primeira a trazer, de forma massiva e sem o estigma que acompanhava o tema em gerações anteriores, a discussão sobre como os padrões de beleza impactam a saúde mental. Transtornos alimentares, dismorfia corporal, ansiedade relacionada à aparência — essas conversas ganharam visibilidade nas redes sociais através de criadores dessa geração que compartilharam experiências pessoais com uma vulnerabilidade que encontrou eco imediato em milhões de pessoas.
O impacto foi real e mensurável. Plataformas foram pressionadas a adicionar avisos em conteúdo relacionado a transtornos alimentares. Marcas foram questionadas publicamente sobre campanhas que promoviam padrões prejudiciais. Políticas de moderação de conteúdo foram revisadas.
O paradoxo da geração mais consciente e mais ansiosa
Os dados apresentam uma contradição que merece atenção: a geração Z é simultaneamente a mais consciente sobre saúde mental em relação à beleza e a que apresenta maiores índices de ansiedade, depressão e insatisfação com a imagem corporal entre as gerações vivas atualmente.
Isso não significa que a consciência seja falsa ou ineficaz. Significa que conhecer um problema e estar protegido dele não são a mesma coisa — e que a exposição constante ao ambiente das redes sociais tem um impacto que a consciência intelectual sobre esse impacto não neutraliza completamente.
É uma das razões pelas quais a conversa sobre beleza e saúde mental que essa geração iniciou precisa continuar — não como assunto resolvido, mas como processo em andamento.
10. O Que as Marcas Aprenderam — e o Que Ainda Precisam Aprender
A indústria da beleza foi forçada a se adaptar à geração Z de formas que não eram opcionais — e as marcas que fizeram isso bem saíram na frente de formas mensuráveis. As que fizeram mal ficaram expostas publicamente de maneiras que não tinham precedente.
O que funcionou
Representação real funcionou. Diversidade de tons de pele, tipos de corpo, idades e identidades de gênero em campanhas não é mais considerado diferencial — é considerado requisito básico por esse público. Marcas como Fenty Beauty, que lançou com 40 tons de base em 2017, demonstraram que inclusão genuína é modelo de negócio viável — e abriram caminho para que a indústria inteira se movesse na mesma direção.
Transparência sobre ingredientes e formulações funcionou. Marcas que comunicam com clareza o que está nos produtos, por que está lá e o que faz — sem promessas exageradas — ganharam credibilidade com um público que pesquisa antes de comprar e que não perdoa afirmações falsas com facilidade.
Criadores de conteúdo como canais de marketing funcionaram — quando a parceria era genuína. A geração Z detecta parceria paga sem identificação ou parceria com marca cujos valores não se alinham ao criador com uma velocidade que frequentemente surpreende as marcas.
O que ainda precisa mudar
A indústria da beleza ainda tem um caminho significativo a percorrer em relação à age diversity — a representação de pessoas mais velhas em categorias que não são especificamente "anti-aging". Em relação à representação de pessoas com deficiências visíveis. Em relação à transparência sobre os limites do que os produtos realmente entregam versus o que as campanhas prometem.
E, talvez mais importante, em relação à distinção entre performar os valores da geração Z e genuinamente incorporá-los — uma distinção que essa geração, com toda a experiência de crescer em um ambiente saturado de marketing, faz com uma acuidade que as marcas frequentemente subestimam.
11. FAQ — Perguntas Frequentes
A geração Z realmente tem uma relação mais saudável com a beleza do que as gerações anteriores?
É complicado responder com um simples sim ou não — e qualquer resposta que faça isso estaria simplificando demais. Em alguns aspectos, sim: essa geração tem linguagem mais desenvolvida para identificar e questionar padrões estéticos prejudiciais, é mais aberta a falar sobre saúde mental em relação à imagem corporal e demonstra maior aceitação de diversidade estética. Em outros aspectos, não necessariamente: os índices de insatisfação corporal, ansiedade relacionada à aparência e transtornos alimentares não são menores nessa geração — e em algumas métricas são maiores. A consciência avançou. Os resultados práticos ainda estão sendo construídos.
O body positivity foi criado pela geração Z?
Não — o movimento body positivity tem raízes no ativismo de gordura dos anos 1960 e 70 e foi ressignificado em múltiplas ondas desde então. O que a geração Z fez foi amplificar e mainstreamizar o movimento através das redes sociais, introduzir conceitos complementares como body neutrality e internalizar o vocabulário de forma que ultrapassou o ativismo e entrou na cultura popular em geral. A geração Z não criou o movimento — ela o transformou em conversa cotidiana.
As marcas de beleza que aparecem como inclusivas realmente são — ou é só marketing?
As duas coisas existem — e aprender a distinguir é parte da literacia de consumo que a própria geração Z está desenvolvendo. Indicadores de inclusão genuína versus performática incluem: a diversidade existe apenas nas campanhas ou também na liderança e nas equipes da empresa? Os produtos atendem genuinamente a necessidades diversas ou apenas a imagem é diversa? A marca se posiciona em questões relevantes apenas quando é seguro ou também quando há risco de perder consumidores? Essas perguntas não têm respostas automáticas — mas fazê-las é o começo de um consumo mais consciente.
Como os pais podem ajudar adolescentes Gen Z a ter uma relação mais saudável com beleza e imagem corporal?
A pesquisa em psicologia do desenvolvimento aponta para algumas práticas consistentemente úteis: conversas abertas sobre o que é real versus editado nas redes sociais — não de forma alarmista, mas como literacia digital natural. Modelagem de uma relação saudável com o próprio corpo pelos adultos do entorno — o que os pais falam sobre os próprios corpos tem impacto significativo sobre como os filhos se relacionam com os seus. Apoio a identidades que vão além da aparência física — hobbies, habilidades, relacionamentos, conquistas. E atenção a sinais de que a relação com a imagem corporal ou com a alimentação pode estar se tornando problemática — sem esperar que o problema se agrave antes de buscar apoio profissional.
A estética da geração Z vai durar ou é só uma fase?
Toda estética de geração é, em certo sentido, uma fase — ela reflete o momento cultural, tecnológico e social específico em que foi produzida. O que provavelmente vai durar não é nenhuma microestética específica do TikTok — que por definição tem ciclo curto — mas as mudanças estruturais que essa geração está promovendo: a pluralidade de padrões em vez da monocultura estética, a integração entre beleza e valores pessoais, a expectativa de autenticidade e transparência das marcas, e a conexão entre beleza e saúde mental como tema legítimo e urgente.
12. Conclusão
A geração Z não está apenas escolhendo produtos de beleza diferentes ou seguindo tendências estéticas diferentes. Está fazendo algo mais fundamental: questionando as premissas sobre o que beleza significa, para quem ela existe e a que custo ela pode ser perseguida.
Esse questionamento é bagunçado, contraditório e incompleto — como todo processo de mudança cultural genuíno sempre é. Ao mesmo tempo em que destrói padrões que precisavam ser destruídos, cria pressões novas. Ao mesmo tempo em que celebra autenticidade, opera em plataformas que monetizam a performatividade. Ao mesmo tempo em que é a geração mais consciente sobre saúde mental e imagem corporal, é a que apresenta alguns dos maiores índices de ansiedade relacionada à aparência.
Mas o movimento é real. E a direção geral — em direção a mais pluralidade, mais honestidade, mais conexão entre beleza e bem-estar genuíno — é uma direção que vale a pena acompanhar e apoiar.
Porque no fundo, o que a geração Z está pedindo não é nada extraordinário. É o que toda geração antes dela também queria, mas não tinha linguagem nem plataforma para exigir: ser vista como é, não como alguém decidiu que deveria ser.
Se esse artigo te fez pensar diferente sobre beleza — a sua ou a do mundo ao redor — compartilhe com alguém que também merece essa conversa. E continue explorando o blog para mais conteúdo sobre saúde, bem-estar e as transformações culturais que estão moldando a forma como nos relacionamos com o próprio corpo.